A fase adulta chegou de verdade

Danny Santos

02/04/2021 
@Blog_da_danny_1446

   Acho que todo mundo já teve a sua fase de "Quero ser grande". De rezar toda a noite e pedir para o tempo passar. Queria crescer para poder sair sozinha, ir para as "baladas" da vida, pintar meu cabelo de rosa, poder comprar os meus discos preferidos, meus livros, poder ficar até tarde vendo filmes. Queria crescer para ter liberdade, ter um telefone celular, comprar e usar a minha roupa preferida, poder viajar por esse mundo a fora. Queria ser livre!

De repente tornei-me adulta e o que encontro? Um mundo do avesso. Não gostei de algumas coisas nesse novo mundo. Antes era mais fácil emagrecer, por exemplo. Agora, até o vento me engorda. Nem pensava em boletos, contas, planilhas... Agora, minha vida é só pagar contas e organizá-las. Fim de semana passa em um piscar de olhos. O vizinho está fazendo uma obra ao lado que não me deixa descansar, preciso ir até lá , usar vários argumentos e pedir que pare.

Agora necessito "correr atrás" do meu próprio dinheiro, se quiser sobreviver. Ter uma profissão que eu ame e que ainda pague as minhas contas ( É a parte mais difícil! ) . Preciso ter uma conexão de internet ou fico "fora" do mundo. As informações me bombardeiam constantemente, as vezes dá vontade de sair correndo, de jogar tudo para cima. Mas lembro que preciso ver o jornal do meio dia para saber a quantas andam a pandemia na minha cidade, no meu país, no mundo!

Sim! Estamos vivendo numa pandemia. Quem poderia imaginar? Nos muitos filmes que já tinha visto sobre o tema, parecia algo impossível de se prever, mas agora lembrando de alguns filmes da série Missão Impossível, só confirmou que com a velocidade que as coisas se encaminhavam, uma hora ou outra isso iria acontecer. Muitas coisas colaboraram para que chegássemos a essa tragédia mundial, mas a resposta correta, ninguém possui. Era ficção e acabou virando realidade.

Imagina ser adulto em um mundo como esse! Quando as únicas coisas que eu queria, era fazer o meu trabalho da melhor forma, ganhar o meu dinheiro, investir em estudos e viagens, mas de repente o objetivo passou a ser a sobrevivência.

É triste, é injusto até, você não poder desfrutar da sua vida como bem entende, não ter a sua liberdade, o seu direito de ir e vir. É algo inacreditável.

Imagina uma criança vivendo esses tempos! Não há nada pior. Só lembro da minha infância maravilhosa, livre, lúdica, cheia de amigos, rodeada de brincadeiras...É triste imaginar que muitos não irão viver isso. E pra quem é pai e mãe, o desafio se multiplicou. Além de ter que manter a sua saúde mental, precisa cuidar do emocional de alguém que depende de você. Que o vê como um porto seguro, um navio ancorado. Você não pode balançar ou ele balançará junto. A fase adulta se concretizou agora! No momento em que você assumiu a responsabilidade de viver e de proteger quem ama.

Crescemos 10 anos em 1, amadurecemos, somos mais gratos, mais compreensivos, mais afetuosos, mais crentes em uma força maior e mais esperançosos (Será?). Deve ter caído bastante o número de pessoas descrentes, ateus, nesse mundo. Como viver, sem crer, sem ter esperança?

A vida até perde um pouco o sentido se não há o amanhã, se não existe planos, objetivos, mas o momento é o agora, é viver hoje. Essa loucura toda também veio pra mostrar nossas necessidades mais latentes, as feridas abertas que precisam de cura e que não podemos deixar pra amanhã. É tempo de crescer, aceitar que a fase adulta está aí, com todas as suas doçuras e amarguras. Com suas decisões e consequências, dores e amores. A fase adulta chegou de verdade, não corre não porque o marcador de luz está batendo na sua porta.

Dia do sim

Danny Santos 

01/04/2021
@Blog_da_danny_1446 

 Nesses tempos de pandemia, feriado com isolamento, os streamings e os livros são os nossos melhores companheiros. E foi na Netflix que um filme me chamou a atenção. O nome já é bem sugestivo: "Dia do Sim!"

 É com a Jennifer Garner, aquela menina do filme " De repente trinta", um clássico que marcou a minha geração. Agora ela está praticamente uma cinquentona e mãe de dois filhos. Um filme totalmente despretensioso que nos faz indagar: Se eu tivesse um Dia do Sim?

 Muitas pessoas estariam numa "saia justa", justamente pela dificuldade em dizer sim para algo ou para alguém. No filme a grande questão se volta para as atitudes da mãe, lá ela ficou taxada de "sargentona". Aliás, nós mães já nascemos com esse "adjetivo".

  As crianças reclamam que a mãe faz do tipo durona, mandona, controladora, que aprisiona, sufoca e alguém teve a ideia de promover um dia em que ela só poderia dizer sim. Fico pensando:  -  E se fosse comigo?

  Imagina falar sim para tudo que um filho pedir? Mas é claro que existem regras e uma delas é não matar ninguém! Imaginem a dificuldade que seria em promover um dia assim. Aqui em casa, começaria por:  pular o café da manhã, acordar ao meio dia, ficar o dia inteiro jogando video game, jantar uma pizza gigante com borda de catupiry e dormir só quando estivesse com vontade.

  Socorro! E se ele pedisse pra ir a uma festa sozinho ou num festival de rock com amigos como a filha dela pediu ? Meus Deus! Teria que fazer anos de análise para tomar alguma atitude. Quando nos tornamos pais, todos os dias são uma prova de fogo, a todo instante temos decisões para serem tomadas.

  Os filhos estão sempre nos testando, pedindo , esperando e nós precisamos estarmos certos das nossas respostas. E será que estamos? Ahh! Nem sempre! Eu ainda não estou preparada para deixar meu filho sair sozinho a certos lugares. Não é falta de confiança, mas é insegurança da minha parte mesmo, pura verdade.

  Uma mãe deseja que o filho seja feliz, mas ela precisa orientá-lo na busca dessa felicidade e para isso, acaba inevitavelmente usando mais o "não" do que o "sim". Eles reclamam, fazem birra, resmungam, mas no fundo, bem no fundo, estão nos agradecendo por se importarem com eles, por estarem dando limites, os guiando, ensinando-os,  trocando experiências e nós também agradecemos por aprendermos diariamente.

  O final do filme surpreendeu ( não vou dar "spoiler") algumas pessoas, mas eu já esperava. Olhando pra trás, lembrei que já proporcionei um dia como esse ao meu filho, foi "O dia do Sim", sem que ele percebesse e foi maravilho ver a alegria no rostinho dele. Não disse sim para tudo, mas à maioria das coisas que ele pediu em um dia especial.  E você, quando vai fazer o "Dia do Sim"  com seu filho? É um desafio!


Danny Santos












Eu vejo a vida melhor no futuro.

Danny Santos 

08/11/2020
@danysousa20 


Foi impossível não ficar envolvida com as eleições americanas. Não é no nosso país, mas a mudança presidencial na maior potência do mundo, irá refletir em todo planeta. Os brasileiros ainda acham estranho a demora na resolução eleitoral americana, muitos não têm paciência para acompanhar e criticam. Sempre foi dessa forma, mas hoje em dia, com a rapidez do mundo tecnológico, ainda acham antiquado uma eleição manuscrita, contada voto a voto. Ela nos ensina que o voto é um instrumento sagrado, sendo obrigatório ou facultativo, é um direito conquistado. Se uma mulher ou um negro, está votando nesse momento, foi porque pessoas lá atrás lutaram por isso.

Os americanos foram às urnas, movimentos formaram-se incentivando o voto e pedindo uma mudança de chave. Entenderam que o atual governo não estava atendendo suas necessidades do momento. A postura do governo em relação ao trato com a pandemia, foi um fator decisivo para que a maioria optasse pelos democratas. O atual presidente ainda não aceitou a derrota nas urnas, mas certamente terá que dar o braço a torcer. Terá que deixar a Casa Branca, mesmo que seja a força.

Ainda vejo nas redes sociais brasileiros apoiadores do governo atual, dizendo que ainda acredita numa virada de cadeira, numa mudança no resultado. É o tipo de gente que não tolera a derrota, que não aceita a vitória da democracia. Aos poucos irão perceber que não há o que se fazer, que o resultado foi legal, justo e refletiu o desejo da maioria.

É o momento de se olhar para as feridas da sociedade americana com mais carinho, daquelas que causam dor, sofrimento e indignação ao mundo. O que essas pessoas quiseram nos mostrar é que estão fartas de abuso, de falta de respeito, civilidade e não toleram mais o autoritarismo. Desejam dias melhores em todas as esferas, não só economicamente, mas como nação que respeita seus cidadãos em suas diversas condições. Sejam eles negros, mulheres, gays, trans, héteros, pobres, ricos, ... enfim, sejam quem for.

Alguns brasileiros temem a mudança entre as relações diplomáticas entre Brasil e EUA. O governo atual vinha alinhado com governos chamados "populistas", dando apoio irrestrito. Não sabemos até que ponto haverá mudanças nessa relação a partir do momento em que um novo governo assumir. É certo que não aceitará a postura do país em sua política externa, principalmente nas questões da Amazônia. Com certeza, democracia e direitos civis estarão em pauta nesse novo alinhamento. E tudo dependerá de uma nova postura do governo brasileiro. Novos tempos se iniciam lá e bem que poderiam refletir aqui.

Deveríamos aproveitar esse clima para repensar a nossa política. Aprendi na escola que Política é a arte ou ciência de organização e administração de nações ou Estados. É a atividade desempenhada pelo cidadão quando exerce seus direitos em assuntos públicos através da sua opinião e do seu voto. A palavra tem sua origem da palavra grega "polis" que significa cidade. A política busca um consenso para a convivência pacífica em comunidade. O filósofo Aristóteles disse em seu livro "Política", que Política é um meio para alcançar a felicidade dos cidadãos. Para isso, o governo deve ser justo e as leis, obedecidas.

Sábias palavras do filósofo. Ele nos diz que os membros de uma mesma sociedade podem fazer política quando desejam melhorias na sociedade civil. Pra isso acontecer o cidadão deve ser consciente do seu voto, deve procurar escolher o representante que melhor define suas aspirações, se terá condições de colocá-las em prática. Enquanto cidadão, queremos apenas que nossos direitos sejam respeitados em sua diversidade, amplitude. Nenhum governo é perfeito, todos terão suas rachaduras e erros, mas seu grande trabalho será unir pessoas, reconhecê-las como parte do sistema, aceitá-las em suas imperfeições e plenitude.

Esse é o grande desafio do novo governo americano, unir, colar o que foi destruído pelo anterior. Já aqui no Brasil, temos muitos exemplos de maus políticos, de pessoas que mostraram que a corrupção são suas plataformas de trabalho, que não desejam trabalhar por uma sociedade mais justa e igualitária, que não respeitam direitos civis conquistados e não merecem nos representar. Nem se pode dizer que não tinha informação de certo candidato, pois hoje em dia temos várias ferramentas de informação. Pense e repense o seu voto, analise se este candidato terá condições de realizar uma política limpa, sem corrupção e de ampla discursão ou poderá sofrer as consequências dos seus atos no futuro.

Aos que não estão mais aqui

Danny Santos

02/11/2020
@danysousa20

Hoje é aquele feriado marcado pela saudade dos que nos deixaram. Um dia de reflexão, tristeza para alguns, inconformismo para outros. Esse ano está sendo diferente, uma mistura de saudade com consternação. Na maioria dos anos chove nesse dia, mas hoje o céu limpou e o Sol brilha. Brilha pra anunciar que muitas pessoas fizeram a sua passagem recentemente e que numa vida espiritual estão melhores do que os que ficaram.

Mais de 160.000 vidas foram perdidas em meses de um ano que veio para desafiar o ser humano. Um momento tão atípico, tão diferente de tudo que já vivemos, que assustou verdadeiramente. Desafio quem disser que não foi afetado por ele. Todos de certa forma tiveram perdas, sejam elas financeiras, materiais, emocionais, enfim, o vírus veio e fez um grande estrago. E ainda não foi embora, talvez nunca vá.

Estou também nessa leva que perdeu, que ficou sem pessoas importantes na vida. Entre as pessoas que não puderam acompanhar o pai no hospital, não puderam falar pelo telefone para lhe passar força, amor, atenção, que não puderam estar perto em seus últimos momentos e nem despedir-se antes de fazer a passagem. Que ficou esperando notícias pelo telefone todos os dias, com o coração cheio de esperança. Em vários momentos sonhei que ele estava voltando pra casa e fazíamos uma grande festa. Ele não voltou.

Não teve velório, não teve o nosso último momento, não o vi nunca mais. Fui obrigada a ficar com o nosso último encontro, com a última vez que nos falamos pelo telefone e com a última imagem dele, que foi através de uma vídeo chamada feita no meu aniversário.

Um momento avassalador, de dor profunda, de misturas de sentimentos e tristeza. Depois de alguns meses, estou preparando-me para fazer a minha despedida com ele. Será na praia, um lugar que gostava muito de frequentar e que lhe trouxe os momentos mais alegres. Será entre ele e eu, nós e o mar. Poderei dizer o quanto me faz falta, o quanto é sofrido seguir sem a sua presença, sem a sua força, mas que estou aprendendo a lidar com tudo o que a vida me ofereceu, inclusive com a perda.

Hoje muitas famílias estão fazendo suas despedidas, porque foram impedidas pela pandemia e é importante que se faça, para finalizar um ciclo de vida, fazer uma reconexão. O emocional agradece. O melhor que podemos fazer é levar suas lembranças, seguir seus legados e desenvolver nossas vidas da melhor forma possível. É aprender a lidar com a dor, com a falta da presença física e com a saudade.

Uma pena viver em um país onde falta a responsabilidade com a vida, o respeito, onde o dinheiro fala mais alto e que falta amor ao próximo. Se algumas ações fossem tomadas bem no começo, tenho certeza que muitas vidas seriam poupadas. Agora nos resta conviver com esse novo normal e ficar na esperança de dias melhores, que o Sol volte a brilhar em nosso país, em nossas famílias e dentro de cada um. Finda-se a vida, mas com a certeza de que tem continuação.

O medo das mulheres 

Danny Santos

@danysousa20
31/10/2020

  Do que as mulheres têm medo? Da solidão, de ser mãe, do fracasso, do resultado da mamografia, da balança, das expectativas que criam em torno de outras pessoas e de si mesma? Uma coisa é certa, são muitos os medos que rondam as mulheres, mas nenhum deles é capaz de pará-las. Mesmo com medo, elas seguem.  Em tempos tão difíceis que estamos vivendo, ser mulher é quase ser uma heroína. Um ser que enfrenta batalhas diárias, da hora que acorda ao se deitar. Ela precisa esquivar-se do assediador do ônibus, do trabalho, das cantadas no trem, do marido violento, das 2 horas dentro de um transporte, do medo de perder o emprego, da culpa na educação dos filhos. O que sobra pra essa mulher? Fica até difícil de descrever. Que horas ela irá pensar em si? Seus desejos, sentimentos, vontades, sonhos...Ela também sonha.

A mulher de hoje perdeu o direito de sonhar, foi atropelada por uma sociedade cruel. Ela grita e ninguém escuta. Mostra sinais de cansaço, mas sua realidade não permite que respire, nem olhe para trás. Se for mulher negra então, as dificuldades dobram de tamanho. Ser mãe, nos requer doação, amor incondicional e nem todas as mulheres conseguem alcançar esse nível da maternidade. É pecado sentir-se fracassada como mãe? Não, não é pecado. Não existe mãe perfeita, não existe mulher perfeita e ao tornar-se mãe suas costas ficam largas e toda a responsabilidade recai sobre você em algum momento.

Feliz das mulheres que podem contar com um parceiro, um pai, um marido, a pessoa que irá dividir tudo com você e minimizar o lado difícil da criação. Ouvi histórias de mães que precisaram de terapia para aprender a lidar com essa enxurrada de emoções, dessa montanha russa. Acho que todas deveriam fazer! É como já disseram por aí "Ser mãe é como jogar vídeo game, a cada hora passando de fase e sempre difícil".

A mulher concilia sua função de mãe, com a de profissional em sua maioria. Precisa lidar com abutres esperando por sua queda para lhe tomar o cargo. Além de correr atrás do peso antes da gravidez, ela precisar estar sexy e desejável para o seu marido, nem todos são capazes de compreender o momento.

O medo a paralisa, a deixa aceitar situações que jamais deveria. Julgar essa mulher, que aceita o que não é bom pra sua vida, é realmente difícil. Ela mais do que ninguém sente na pele as consequências da sua inercia e acomodação. O grande medo é ver a vida passar e não reagir, não lutar para mudar.

Chega um ponto de sua vida que ela questiona suas escolhas e até pensa em resolver alguns aspectos. Não está feliz com o seu atual emprego, então no alto dos seus 40 anos, vai recomeçar, encontrar o que faz o seu coração pulsar. Entra em um curso à distância e decide que irá dar um novo rumo a sua vida. Com seus filhos mais crescidos, a mulher pode voltar a olhar para si. Começa a fazer yoga, retorna à faculdade que estava trancada, descobre a fotografia ou a dança como prazeres e percebe a vida sobre outra ótica. É um momento somente dela, o encontro com sua essência, com a descoberta do novo.

A mulher é assim, uma hora fada outra bruxa. Tem o poder em suas mãos, mas precisa descobrir-se. Precisa ser dona do próprio querer, parar de aceitar o que lhe é imposto, reclamar, gritar se for preciso, ela só precisa ser, só precisa agir!

Quando conheci Martha 

Danny Santos

17/10/2020
@danysousa20 


Martha entrou em minha vida em meados de 2001, quando lançou o Divã. A história de Mercedes me fascinava. Uma mulher quarentona, com três filhos, professora, artista plástica, que em um certo momento de sua vida sente um vazio inexplicável. Na poltrona de um divã ela questiona toda sua vida e resolve mudar tudo. Quis saber quem era essa escritora, de fala enfática, linguagem clara, cheia de humor e com um amadurecimento visível. Descobri que era cronista do Jornal O Globo, mas especificamente da revista ELA. Começava ali minha admiração por Martha Medeiros.

Mulher, escritora, poetisa, jornalista, 59 anos, duas filhas e nascida em Porto Alegre. Passei a ler e a me interessar por tudo que ela publicava. As redes sociais foram aliadas nessa hora, passei a segui-la e a conhecer um pouco mais da Martha real. Com 26 livros publicados, mais de 1 milhão de livros vendidos, vários prêmios, quatro peças lançadas baseadas em seus livros, entre elas "Simples Assim", montada recentemente com a atriz Júlia Lemmertz e Georgiana Góis, teve a participação direta da autora em sua concepção. No cinema, teve o seu livro "O Divã" no telão e como série de tv; na música fez parcerias com Jota Quest e uma das mais tocadas, teve inspiração em seu texto, "Dentro de um abraço".

Isso me leva a concluir que tudo que Martha se atreve a fazer, faz com maestria e vira sucesso. Nesse momento está lançando o seu novo livro "A claridade lá fora". Dessa vez, Martha envereda pelos caminhos da ficção. Na sua mais recente crônica ela fala justamente sobre o desafio de escrever em terceira pessoa, deixando o "eu" um pouco de lado, principalmente após dedicar 26 anos da sua vida ao colunismo de opinião. "O pronome "eu" me é muito familiar. Escrever ficção na primeira pessoa se equipara ao trabalho de uma atriz que é desafiada a ser outro alguém.", palavras de Martha.

Se estivesse cara a cara com Martha, diria que essa nova empreitada será sucesso com certeza, porque ela domina o que faz, faz com paixão e verdade. Qual seria o segredo de Martha? Por que atrai cada vez mais público? Um público que está dividido entre homens, mulheres e jovens. Ela é unanimidade. Para ter essas respostas vou atrás de falas da própria Martha. Ela diz que acredita atrair o grande público pelo fato de falar da essência do ser humano, da cultura da paz, da busca da humanidade, do desapego do ego, da simplicidade da vida. São temas que reconhecemos, que nos identificamos e refletimos como se fosse conosco. Essa simplicidade nas palavras é a verdade de Martha.

Ainda não li todos os seus livros, mas já passei da metade e o novo está a caminho. Através do conjunto da sua obra, vou me espelhando e tendo a certeza de que a mulher pode sonhar e realizar. Assim como Elizabeth Gilbert, mais uma grande inspiração em minha vida de escritora, a literatura de Martha me envolve como um edredom confortável e me permite sonhar com um futuro em que se possa viver de livros, da escrita.

Com Martha em nosso dia a dia, entendemos que a felicidade plena pode não existir, que iremos procurar essa felicidade enquanto estivermos vivos e que devemos aceitar nossas imperfeições. A vida pode ser simples, podemos assumir nossos medos, erros, dúvidas, fragilidades. Em suas crônicas semanais, esses temas são retratados e sempre com um pouquinho de Martha em cada um deles. Sou capaz de dizer que ela ama viajar e é apaixonada por Caetano Veloso. É uma mulher em movimento, que procura viver de acordo com suas convicções e que usa as palavras pra engrandecer sua vida e a nossa. Sinto-me motivada toda vez que vejo algo sobre ela ou se leio algum texto seu. É como se me cutucasse e dissesse que vale a pena seguir em frente, que o futuro pode ser bonito com as palavras por perto. Com Martha, permito-me seguir com esse sonho.

Mestre, sem carinho

Danny Santos
@danysousa20 


Uma das pessoas mais influentes na minha vida foram os meus professores. Os olhos brilhavam ao vê-los em ação. Sempre admirei, sempre respeitei. Passei a vida inteira acompanhando a minha tia como professora e via a luta que era exercer essa função. Naquele momento pensei que aquela profissão não queria pra mim. Era um trabalho que a sugava completamente. Muita dedicação e pouco reconhecimento. Exatamente o que acontece com os professores aqui no Brasil. A vida deu suas voltas e me vi dentro de uma sala de aula. Descobri essa vocação "no peito e na raça". Encantei-me com o universo da educação, mas também decepcionei-me.

O sistema educacional brasileiro encontra-se num momento delicado, mas antes mesmo da pandemia, já estava dando sinais de cansaço. A crise veio para mostrar uma realidade que só quem está dentro de uma escola, é capaz de ver. Na esfera pública ou na privada, as realidades são diferentes, mas as dificuldades são as mesmas. No público, não há estrutura, faltam condições de trabalho para receber pessoas que não têm condições de vida. O estado não alcança essas pessoas e nem dá o suporte que os estudantes e a família precisam. O professor vira família, psicólogo, tutor e dá o melhor de si para ajudar um estudante a encontrar o seu caminho. Um professor é capaz de mudar a mente de um adolescente que pensa em entrar para o tráfico. O mostra que através da educação, pode ter uma vida digna sem ir contra a lei e colocar outras em risco.

No âmbito privado o professor é o refém, o menos ouvido e participante do planejamento, o mais vulnerável. Ninguém vê a vida de uma professor. Equilibra-se em dá conta de todo seu trabalho, seguir regras impostas pela escola e atender aos pais, que nem sempre estão dispostos a colaborar. O ensino privado virou uma empresa e o professor está sem voz dentro desse sistema. Escola não contraria os pais, pois são os pagadores e professor não contraria a escola, porque pode ficar sem o seu emprego. O professor trabalha sem receber e o seu trabalho é o mesmo, nada muda e ninguém percebe. Só ele sabe o que se passa. O trabalho que um professor faz hoje em dia, é desgastante e muitas vezes cruel.

É uma profissão que te prende  24 horas e nem fim de semana ele tem direito a ter. Planejamento diário, semanal, mensal, anual, pra vida toda! Provas para corrigir, eventos para organizar, lembrancinhas para fazer e tantas outras coisas. Além de tudo ele precisa ser o mediador entre a escola e os pais, educar crianças que não foram educadas em família, lidar com situações inconvenientes em que nem sempre a escola ficará ao seu lado. Professor também é gente! Ele tem família, precisa de lazer e de descanso. Fica fácil entender por que tantos professores estão em tratamento médico e psicológico. Porque a carga que ele carrega é grande demais e nem todos conseguem dar conta, sem surtar ou trazer danos a sua saúde. Depressão, síndrome do pânico, tendinite, dores e mais dores.

O isolamento deixou os estudantes em casa, com aulas online e os pais puderam viver um pouco da rotina de uma professor. Foram obrigados a organizar o espaço escolar do filho dentro de casa, planejando-se, montando um ambiente propício ao aprendizado e todos deram-se conta de que o professor é a pessoa certa para desenvolver esse trabalho. Mas o professor não ficou parado (ainda que algumas pessoas achem) e precisou colocar a escola dentro da sua casa. A escola invadiu a sua privacidade. E lá foi ele novamente desafiar o desconhecido. Tivemos que aprender a ser tecnológicos, a mexer com ferramentas e aplicativos nunca antes usado. Aprendemos na marra e deixamos a escola de pé. Sem esse sacrifício dos professores, nenhuma escola teria sobrevivido a essa tempestade.

Então, nunca será tarde para dar um salve, de bater palmas para esses profissionais, que fazem um trabalho fundamental na sociedade e que muitas vezes não há reconhecimento nem valorização. Seu salário é um dos mais baixos do mercado.

Para deixar um professor feliz basta lhe oferecer amor e reconhecimento, que ficará cheio de gratidão. Quando uma sociedade não valoriza sua educação, essa sociedade tende a cair em declínio. Mas quando existem heróis que estão dispostos a reverter esse quadro, não há quem pare, não há obstáculo que o tire do seu foco: fazer a diferença na vida de alguém.

O professor sabe da sua responsabilidade ao lidar com vidas e é preciso reverenciar esse profissional que ainda luta por isso.

Desarmonia

Danny Santos

28/09/2020
@danysousa20

Estamos próximos a completar 7 meses de uma pandemia chegou ao mundo e nos roubou a paz. Sem saber muitas informações a respeito desse novo vírus, iniciamos um isolamento forçado que nos obrigou a mudar radicalmente a rotina. No contexto atual, estamos iniciando um processo de flexibilização, nos garantindo com máscaras, distanciamento e muito álcool. Existem aqueles que continuam respeitando o isolamento e permanecendo em casa integralmente. Outros optaram por sair algumas vezes na semana, têm os que estão vivendo como se não houvesse mais o vírus e os que ainda temem. Estou no grupo dos que ainda temem e só saio de casa por motivos importantes. A primeira vez que fui à rua depois de 5 meses trancada em casa, foi numa consulta médica. Uma mistura de pânico, com medo que bambeava as pernas. Consegui passar na prova, não enfartei. A segunda vez, foi uma caminhada no calçadão da praia. Essa saída foi especial. Estava vendo e sentindo o mar, a natureza, depois de meses sem salgar os pés, sem sentir o sol no rosto. Uma paz invadiu minha mente e trouxe renovação.

Depois que iniciei a terapia aprendi a lidar melhor com esses sentimentos. Não me sinto segura ainda em relação a pandemia, pois tenho a ciência de que ainda estamos nela, ainda não temos uma vacina e o vírus circula. O que melhorou foram os conflitos internos. Há pessoas vivendo esses conflitos e o dilema de que deve ou não sair de casa constantemente, permanece forte. Aqueles que estão em casa desde o início estão sofrendo as consequências da falta de interação como: o medo, a insônia, angústia, depressão, pânico, enfim, uma verdadeira desarmonia. É uma mistura de sentimentos que fica até difícil descrever. Pessoas que estão com medo de dormir, que há meses não sabe o que é um abraço. A pandemia nos tirou o aconchego, o ninho, o beijo, o carinho. Mexeu com o nosso senso de proteção. Trouxe a incerteza à nossa casa.

Em busca do equilíbrio perdido há pessoas recorrendo a terapia. Uma ferramenta que deveria ser acessível à população. Tem fama de ser cara, de ser "coisa de gente rica", mas definitivamente não é! É coisa de quem precisa harmonizar por dentro para aceitar o que está do lado de fora. É uma situação tão delicada a que estamos vivendo atualmente, que tudo vira um dilema. Um simples aniversário em família, vira uma operação de guerra e você vira um inconveniente ao querer saber quem irá e se a pessoa está se cuidando.

É uma verdadeira faca de dois gumes. Se aceita, pode correr o risco de estar numa aglomeração, se não aceitar, corre o risco de ser taxada de "neurótica". Mas, uma coisa segue bem clara na minha mente, a saúde é o que temos de mais precioso na vida e a saúde para ser verdadeira, precisa ser integral, unir o físico com o emocional. Não posso estar em um local, onde me sinto insegura e culpada.

É tempo de organizar o interior, calcular suas ações externas e tentar encontrar uma nova maneira de viver. Infelizmente tudo indica que ainda teremos que conviver com o vírus por um bom tempo, mas somos capazes de nos adaptar a situações adversas e trazer lições de cada uma delas. A pandemia foi uma derrota para a humanidade, mas ao mesmo tempo ela nos traz a chance de reverter, mudar, modificar e só depende das nossas atitudes.

O doce sabor das lembranças

Danny Santos

25/09/2020
@danysousa20


Na semana em que a televisão completou seus 70 anos, agradeço e reverencio o Chatô (Assis Chateaubriand) por ter acreditado nessa caixa mágica. Fez a telinha ser a companheira das horas incertas, ser inspiração, trouxe ficção e realidade. Ela é o reflexo de nossas vidas e através desse espelho, podemos viajar sem sair do lugar. Estamos na era dos "streaming" das tevês "smart", dos aplicativos com assinatura e podemos escolher entre milhões de opções, a que quisermos assistir. Temos o poder de mudar, temos o controle na mão e podemos baixar, instalar ou desinstalar. É só escolher!

Num desses fins de semana a noite, procurava uma série interessante para assistir, após ter vista a mais comentada do momento, me deparei com " Street Food - América Latina". A série foi lançada durante a pandemia, em julho e conta a história de pessoas que comandavam a comida de rua em vários países.

São seis episódios que mostram países da América Latina e suas culturas culinárias. Foram gravadas na Argentina ( Buenos Aires), Brasil ( Salvador), México ( Oaxaca), Peru ( Lima), Colômbia ( Bogotá) e Bolívia ( La Paz). É incrível ver cada história, a cultura desses lugares, as comidas, as tradições e a verdade por trás dos sabores. Na Argentina, a protagonista é Pato Rodrigues ( a Pato), uma mulher que assume o restaurante da família e transforma-o em " Las Chicas de la Tres". É lá que é vendida a melhor tortilha do Mercado Central. Pato prova que aprendeu a enfrentar desafios, a desbravar o mundo e a enfrentar a desconfiança da sua própria família, através da comida de rua e das receitas que aprendeu com seu pai. Com muito queijo, tortilhas, empanados, "choripán" ( pão recheado com linguiça), a cultura culinária argentina não nega suas raízes nos imigrantes europeus. A boca encheu de saliva e quase deu pra sentir o aroma das tortilhas.

Em Salvador Dona Suzana é a estrela do episódio que mostra a culinária brasileira, através da comida da Bahia. Mulher simples, carismática, aprendeu a cozinhar com sua mãe quando ainda era uma menina , que a ensinou os segredos do tempero baiano e como preparar uma boa moqueca de peixe. Morar em frente ao mar, favoreceu seu encontro com suas raízes. Dona Suzana usou suas lembranças de família para fazer a melhor moqueca da região. Após passar por um momento difícil em sua vida, desistiu de cozinhar. Mas o sabor, as raízes, a tradição, falaram mais alto e Dona Suzana resolveu voltar a fazer o que mais gostava e a acalmava: cozinhar para outras pessoas. Então, reabriu seu restaurante e o batizou de " RéRestaurante", uma brincadeira carinhosa de amigos com a sua gagueira. Uma figura emblemática, uma mulher que ficou conhecida em lugares que jamais pensou em ser, mostrando que o Brasil tem uma culinária própria e diversa.

Em Oaxaca, a história de Valentina Rodrígues, a Dona Vale, é comovente e bonita. Diante de uma grande dificuldade, ela vê na culinária de rua uma oportunidade de sobrevivência. Precisou voltar no tempo e relembrar as receitas que sua mãe fazia para montar o seu próprio negócio. Dona Vale inicia sua nova vida vendendo "memela", uma espécie de tortilha, um pouco mais grossa que o normal, cozida dos dois lados, com bastante queijo e com molho "chilli morita", que finaliza com um sabor inesquecível. Ela recriou a receita e com seu toque especial tornou-se a vendedora de "memelas" mais conhecida da região. Milho, pimenta, empanados, tortas recheadas, muito molho e assim podemos definir a culinária mexicana, envolvida num clima de total nostalgia.

Assistindo a esse documentário fica cada vez mais nítido a presença de mulheres fortes, a frente de uma comida consumida diariamente por milhares de pessoas, que estão à procura de preço e qualidade. E de como a comida transforma a vida de uma pessoa, inspira, une, amarra lembranças e sonhos. Por aqui fico tentando lembrar das receitas da vovó Dorinha. Tinha uma clássica, que era a torta de leite. Nossa, como era perfeita! Ficava atrás dela acompanhando cada movimento e tentando aprender a fazer. Até que um dia, me deixou finalizar a torta. Ainda tenho a receita anotada, com a letra dela na casa da minha tia. Preciso fazê-la novamente e sentir um pouquinho do seu carinho, da sua presença e do seu amor pela cozinha.

Muita gente descobriu a cozinha nessa pandemia. Pessoas que nunca haviam fritado um ovo, se arriscaram em receitas exóticas ou tradicionais. A comida não é a vilã que todos pensam, ela tem o poder de fascinar e de comover. É desafiadora, exige concentração, disciplina, coordenação e sensatez. Assim como a vida, a comida nos traz lições, mostra a sua importância e garante sobrevivência. Que possamos cozinhar cada vez mais!

Street Food América Latina - Netflix 


Seu corpo, seu mundo

Danny Santos

@danysousa20 

A vida inteira vivi refém da balança e ligada ao meu peso. Ops! A vida inteira não! Na infância, fui uma criança sem neuras com o peso e a estética. Adorava comprar roupas novas, todas ficavam ótimas, fazia natação, usava o meu maiô, feliz da vida. Mas, foi só entrar na adolescência que tudo mudou! Um dia uma amiga falou: - Pare de comer doces, vai ficar gorda, com celulites e não vai conseguir nenhum namorado! Ouvi isso de uma amiga fez meu mundo cair naquele momento! Por que não posso comer o que gosto? O que é celulite? De repente me senti sofrida por ter que entrar nos padrões da sociedade e ser a menina magra.

Meu biótipo nunca foi magro, sempre fui do tipo cheinha, mas não me incomodava tanto. Vivia minha vida feliz, sem comparações e frustrações. As coisas mudaram mesmo quando veio a fase dos namorados, das noitadas, de comprar roupas  para cada saída, de trocar roupas com as amigas e então comecei a me policiar para não avançar no peso. Sentia-me envergonhada e triste. Entrei pra academia, tomei remédios proibidos e fiquei um tempo num peso ideal. O que eu não sabia era que se parasse de fazer a academia ou tomar os remédios, tudo iria voltar ao normal.

Foi o que aconteceu. Meu peso aumentou, minha idade também e com isso toda uma cobrança. Algumas pessoas falavam: - Você é tão bonita, por que não emagrece? Conheço um médico maravilhoso que irá te emagrecer!

Nessa altura da vida, já havia feito milhares de dietas, shakes, sopas, reeducação alimentar, chás, enfim, tudo que fosse alcançar o emagrecimento, experimentava. O tempo foi passando, casei ( com 62 kg e a base de subtramina) , tive meu filho e meu peso aumentou um pouco mais. Estava incomodando e a saúde não ia muito bem. Descobri que tinha uma disfunção na tireóide. 

Um dia conheci a nutricionista, aquela profissional que cuida da nossa alimentação e saúde, que tanto ouvia falar, mas sempre fugia. Fui em busca de emagrecimento e acabei ouvindo verdades. Mostrou-me que toda mudança requer movimento, disciplina e ação. E que o emagrecimento não é questão somente de estética e sim de saúde. Estar acima do peso nem sempre quer dizer que a pessoa esteja saudável física e emocionalmente.

Ela devolveu-me a vontade de cuidar da minha comida, do que estou consumindo e até do que estou comprando. Cada dia é um desafio a ser feito até alcançar o objetivo. Começa na água que consumo diariamente, passa pela lista de compras, do tempo que gasto durante as refeições e principalmente, saber identificar se estou comendo para repor a energia do meu corpo ou para compensar algo no seu emocional? E a atividade física? Quem realmente quer perder peso, não pode ficar sem fazê-la.  Quantas verdades!

Não devemos fazer nada que não seja da nossa vontade. Se deseja emagrecer por motivos de saúde ou estética, faça! Se prefere ficar acima do peso, com a saúde em dia, fique! O corpo é seu e você não deve nada a ninguém! Essa conta não é sua! Não fique constrangida por estar acima do peso ou abaixo. Cada pessoa habita um corpo diferente e isso não pode mudar, se você não quiser.

Depois dos quarenta o corpo de uma mulher transforma-se novamente e a sociedade não quer saber disso. A mídia, muito menos, a publicidade, não está interessada em saber se uma mulher de quarenta, está com retenção de líquidos e lidando com um turbilhão de hormônios. Quem sabe é você que está vivendo e não é obrigada a vir com um comunicado na testa justificando. Vejo tantas mulheres fazendo loucuras para entrar numa calça "jeans", colocando a vida em risco, inclusive. Até que ponto vale a pena?

Hoje sou uma mulher de meia idade tentando chegar ao peso ideal, pela saúde física e emocional. Estou aprendendo a lidar com cobranças e pressões em cima do meu corpo. É o meu habitat e minha casa, preciso sentir-me bem nele. Estando fora dos padrões impostos não quer dizer que esteja descuidando dele.

Aceite o corpo como ele é e se quiser um dia mudar, faça por você! Procure orientação de um profissional e siga em frente. O que sua amiga fez e deu certo, pode não dar certo pra você. Cuide do seu emocional e veja as consequências boas que acontecerão na sua vida. Ame-se, respeite-se e valorize-se.

Cuide do seu mundo, cuide do seu corpo! 

Você tem sonho de quê?

Danny Santos

@danysousa20
09/09/2020


Em meio ao caos que o mundo se encontra, será que ainda há espaço para sonhar? Li essa pergunta em uma revista e lembrei dos meus. Sim, podemos sonhar! Enquanto há sangue correndo em nossas veias, há sonho para realizar. Sonhos nos trazem motivação, disciplina, arrepia, traz coragem e gira a engrenagem da vida.

O que me encanta no sonho é que ele pode ser o que você quiser, pode ficar escondidinho na sua mente, pode ser seu pra sempre e ninguém ficar sabendo ou até ser compartilhado. Quando vão se tornando realidade, logo já surge outro. As vezes a pessoa realiza e nem percebe. Uma pena... não sente o prazer da realização. Existem sonhos fáceis de realizar, sonhos grandes, difíceis, impossíveis, mas todos querendo ser de verdade. Queria apenas ser escritora, viver das palavras. É um sonho simples? Nem tanto. Passei dos quarenta e ainda não realizei. Mas ainda tenho tempo e vontade! Então, ainda posso!

A pandemia chegou feito um furacão, colocando nosso futuro em cheque e deixando nossos sonhos paralisados. Foi a pausa mais louca que já tivemos que fazer. Repensamos a vida e nos perguntamos, onde foi que deu errado? Congelei meus sonhos e fui viver o agora, o momento, o hoje. Como fazer planos em meio a incerteza? Estava mais preocupada em não me contaminar, em ter saúde e acordar no dia seguinte.

Com o passar dos meses, estamos começando a aprender a conviver com o vírus e aos poucos a vida vai seguindo o seu "novo normal". Cá entre nós, a vida jamais voltará a ser normal! E quando vemos os noticiários, temos a certeza de que não podemos relaxar, ainda precisamos pisar em ovos até a chegada da vacina.

Podemos ir aos poucos descongelando nossos sonhos e colocando em prática ações que nos levam até ele. Não adianta sonhar e não fazer por onde. Conheço pessoas que sonham em ganhar na Mega-sena, mas nunca jogam. Querem ter um filho, mas não tentam, querem comprar uma casa de praia, mas não economizam. Entrar na faculdade, se formar, casar, ter um carro, abrir um negócio, ganhar uma medalha, encontrar um amor, viajar pelo mundo... cada pessoa tem o seu. Sonho é o alimento da alma.

Um sonho impossível que brotou em seu coração, tem todas as chances de acontecer. Quando? No momento certo, na hora exata. No tempo em que tudo conspirar a seu favor e que realmente estiver preparado para receber, vai acontecer.

Há pessoas que não sonham. Não desejam nada, não lutam por nada e vão simplesmente vivendo. Acho triste. Uma vida sem sonhos, é uma vida vazia, um pouco sem sentido. Sonhar não é luxo, é necessidade. Não devemos ter medo de sonhar. Pode até não acontecer, mas pelo menos houve o desejo.

Hoje em dia, ter um emprego virou sonho. Na atual conjuntura, estar empregado é um verdadeiro sonho. Se você está, valorize, pois é o sonho de alguém. Imagina colaborar para realizar um? Seria a alegria em dobro, pois não há nada mais gratificante do que promover a felicidade alheia.

Sonhar é real, sonhar é mesmo possível. É difícil em alguns casos, mas compensa demais ao chegar no fim da corrida e dizer: - Cheguei! Ufa!

E depois da realização, uma nova ideia surge, o coração palpita de novo, os pelos arrepiam. É um novo sonho aterrissando em nossas vidas!

Pra sempre Pantera, pra sempre Chad 


Danny Santos

31/08/2020

    Lembro-me de quando fui ver o filme Pantera Negra no cinema. Já o conhecia do filme Capitão América e de outros,  mas não tinha a real noção da sua força e beleza. Estava ali, bem na nossa frente o sonho de um mundo maravilhoso, um lugar onde queríamos viver. E dentro desse mundo havia o Pantera Negra, o personagem que nos fazia viajar, que confiávamos, que nos transmitia força, que despertava o fascínio em crianças e adultos. Ao final do filme, a plateia levantou-se e aplaudiu de pé. Aqueles aplausos, fez meus olhos encherem-se de água e um sentimento de gratidão tomou conta do coração. Olhei para o meu filho vibrando com tudo aquilo e senti um alívio, por estar diante de algo tão significativo. Eis a nossa referência, o nosso herói!

Chadwdick Boseman era quem dava vida a esse ser que passou a representar a força de um povo que não estava mais na condição de vítima, mas de respeito, descoberta e aceitação. A chegada desse herói mudou tudo, mudou a forma como uma criança passou a enxergar a vida, elevou a autoestima de muitas pessoas mundo a fora. O mundo ficou chocado com a sua partida e estarrecidos em saber que sofria de uma doença há quatro anos e a mídia não sabia. Deu-se o direito de viver, lutar e ser responsável por uma batalha que enfrentava diariamente, sem os holofotes da sociedade. Entre cirurgias e quimioterapia, filmava e fazia o que mais gostava na vida, cinema.

Sociedade que julga, que é cruel, que não percebe que ser gentil é o mínimo que se pode fazer, quando cada um está vivendo a sua batalha pessoal. Até o fim, foi forte como o herói de Wakanda e nunca desistiu de curar-se. Sua partida deixou um sentimento de vazio, pois não veremos mais o Chad em ação. Só podemos sentir sua imortalidade no símbolo que se transformou, no homem engajado em causas sociais, que visitava crianças em hospitais, do ator dedicado, concentrado em fazer o seu melhor papel. Passou a ser um dos heróis preferidos de crianças, principalmente por sua identificação,  representatividade, não somente com os negros, mas com pessoas que inspiravam-se em seu poder de mudança, resiliência, de construção e de renovação.

A sensação que ficou é de que perdemos um familiar tão próximo, alguém que sempre estava por perto desejando força, entusiasmo e coragem. Em todos os filmes que fez, mostrou versatilidade, emoção e verdade. Dos filmes em que mais  atuou foram os de temática do movimento negro e luta pelos direitos civis. Em " Get on Up", deu vida a história de James Brown e com uma fascinante atuação, nos transportou para a vida triste e genial de um astro da música americana. Destacou-se nessa atuação e foi elogiado pela crítica por ter chegado tão próximo do James da vida real. Em tudo que fazia, havia uma entrega,  um brilhantismo que foi coroado com o Pantera. Seu sucesso foi merecido, foi pautado em subir degrau por degrau. Iniciou com a ajuda de Denzel Washington, que financiou uma bolsa em Oxford Midsummer da British American Drama Academy, em Londres.

Jamais iremos esquecer sua luta pessoal, seu comprometimento com um grupo que precisava reconhecer-se em alguém, em algum lugar. Chadwick foi a ponte que nos ligou a ancestralidade, que realmente nos fez sonhar com um mundo totalmente diferente, um mundo tranquilo, onde pessoas não sofreriam mais pela cor da sua pela, pelo preconceito, pela falta de oportunidade, pelo olhar torto no mercado, pela desconfiança, pela falta de estudos. Não haveria sofrimento, nem lamentação, afinal teríamos o nosso herói para nos proteger, a qualquer momento. Agora ele está nesse lugar, no seu mundo ideal, na sua Wakanda.

As músicas da minha vida

Danny Santos

24/08/2020


Música sempre fez parte da minha vida e nunca consegui viver sem . A primeira noção que tive de que ouvir e cantar eram boas, foi em meados dos anos 70, mais precisamente em 1977. Meu pai havia comprado o disco com a trilha sonora de Locomotivas e colocou em nossa vitrola. Ainda era filha única, toda a sua atenção era minha, então começamos a dançar as músicas daquele disco. Eu só tinha 3 anos, nem fazia a ideia de que estava em contato com os grandes cantores naquela trilha. Claudia Teles, cantando "Eu preciso te esquecer", Cassiano com "Coleção", Gonzaguinha com "Espere por mim, morena" e a banda Azymuth com "Voo sobre o horizonte", eram alguns nomes. Com o tempo, já estava cantarolando essas músicas pela casa.

Descobri Cassiano e fiquei apaixonada por aquele cantor, de voz doce, arrebatadora e compositor sagaz. "A lua e eu " e " Coleção se tornariam as minhas músicas preferidas na vida. Não tem como falar de música e não mencionar meu avô. O que vem na memória é ele cercado de discos, ouvindo suas músicas, todo empolgado e me chamando pra ouvir junto. Dizia assim: - Você precisa ouvir essa, é uma preciosidade! Isso que é música! E era, Dick Farney com "Alguém como tu", Elizeth Cardoso em "As praias desertas", Nat King Cole, com "When I Fall in Love" ( uma das mais tocadas por ele), The Platters, com "Smoke gets In Your Eyes". Pesquisava até encontrar a música refinada, de qualidade, mas sempre esteve aberto ao novo. Lembro de quando mostrei o primeiro disco da Legião Urbana. Ouviu, ficou pensativo, mas gostou de "Pais e filhos".

Na adolescência segui ouvindo as indicações do meu avô e do meu pai, mas já conseguia ter o meu próprio estilo musical. Elis Regina, cantando "Águas de março" de Tom Jobim, Rita Lee com "Lança perfume", Lulu Santos " Tempos modernos", eram muito ouvidas no meu quarto. Vivi intensamente os anos 80 e todo aquele fervor musical e cultural que  estava presente. Kid Abelha "Lágrimas e chuva", Leo Jaime com "A vida não presta", Paralamas do sucesso com "Lanterna dos afogados", eram algumas que tocavam no meu aparelho de som ou "diskman". Muitas músicas surgiram e cada uma tinha um significado, uma história. A música "Perigo", cantada por Zizi Possi, me traz à lembrança dos karaokês que a família fazia em nossas festas. Adorava cantar, " A Paz", de Gilberto Gil. Minha família é toda musical e sempre foi, então, era natural.  Prima cantora e percussionista, tio cantor e compositor, padrinho percussionista e eu arriscando no karaokê. Confesso que sempre gostei de cantar! Escrevi algumas letras e meu tio musicou.

Na época, aconteciam muitas festinhas  no estilo " Hi fi". Pra quem nunca ouviu falar, eram festinhas que aconteciam sempre na casa de algum amigo, os pais ficavam no quarto. Era só levar um suco  "Tang", um o prato com salgado e muitos discos. Aliás, quem levava esses discos, era eu ! Assumia a DJ das festas. Minha trilha sonora ia de RPM à Duran Duran. Não era boba nem nada e tocava umas três músicas lentas seguidas, só para dançar com o menino que estava gostando. "With or Without You" ( U2), "Save a Prayer" ( Duran Duran)," Luka ( Suzanne Vega ) Era bem por aí. No fim das festas, sentávamos no chão e ficávamos ouvindo os discos da Legião Urbana, cantando "Faroeste Caboclo", até decorar.

Tempos maravilhosos e tão distantes dos de hoje. O que sei é que a música sempre foi presente. Nos anos 90, começou a minha fase de   " liberdade" ou do que achava ser. Ida as discotecas definiram a trilha do momento. " Just another day", de Oingo Boingo, "Repettion" de Information Society, "Blue Savannah, Erasure, comandavam. As músicas internacionais participaram muito desse período. "Reasons", de Earth, Wind & Fire, foi por um bom tempo a minha preferida na vida. "Muskrat Love, de América, " You've Got a Friend" com James Taylor, deixavam meu mundo adolescente menos complicado. Aliás, James Taylor, merece um texto somente dele! Gênio!

Pra esquecer ou viver um grande amor, nada melhor do que ouvir  Djavan  , " Avião", " Um amor puro", "Outono". Sofria feliz ouvindo  "Always" Bon Jovi, "More Than Words", Extreme, " I do it for you" com Bryan Adams., " It must have been love" com Roxette, "Pacience", Guns N' Roses, " Woman in chains , Tears For fears       ( como chorava ouvindo essa!), " I knew I loved you" de Savage Garden, " Enjoy the Silence" , Depeche Mode. São muitas! Tempos bons, que trazem as melhores lembranças e sensações. Tempos em que as minhas únicas preocupações eram estudar e ouvir músicas.

Com o passar dos anos conheci todo tipo de música. Escutava e ia decidindo se seguiria ouvindo ou não. Pra mim, a música deve ser uma junção de arranjo, melodia, letra, voz e verdade. Não aceito menos do que isso. Precisa provocar emoção, deixar uma vontade de ouvir novamente. Estou atenta ao panorama musical atual e tem muita coisa que me agrada, mas ao mesmo tempo muita coisa que "passo longe". Respeito quem gosta. Vivemos numa democracia e cada um tem o direito de ouvir o que quiser.

A música, a arte, jamais perderão suas funções de emocionar e trazer à tona sentimentos. A música acalma, relaxa, inspira, provoca, desafia e é aliada do emocional. Ouço música quando estou feliz, quando estou triste e tenho visitado o passado durante esse momento. Nessa nossa vida agitada, foi preciso uma pandemia pra devolver o meu tempo com a música.  Ela tem esse poder, de nos transportar, nos levar a um lugar que já estivemos ou até pra um que gostaríamos de estar. Que a música cerque nossas vidas e nos traga mais leveza.

Futebol, ainda é paixão nacional

17/08/2020

Danny Santos 


O futebol parou, assim como o mundo,  e seus amantes ficaram órfãos por alguns meses. Foi assustador. A tristeza e a nostalgia embalaram os pensamentos de quem aprecia a bola. Futebol sempre fez parte da minha vida, começou com o avó apaixonado , depois o pai, o padrinho e tios.

Estavam sempre vendo algum tipo de jogo, indo aos estádios e comentando sobre tudo que tivesse relação com o futebol. Cresci nesse mundo, com a rodinha de conversas entre eles e eu ali ouvindo e observando atenta. Passei a gostar de ver todos os jogos, mesmo que não fosse o do meu time. Tinha na família a rivalidade entre o Vasco e o Flamengo. Meu avó era um vascaíno ferrenho, meu pai por ser o mais velho dos filhos homens ia com ele ao estádio, então começou a torcer pelo Vasco. Meus tios, que não iam com eles, resolveram seguir o time do tio e passaram a torcer pelo Flamengo.

Essa rivalidade existia na família, mas nunca foi motivo de discórdia, brigas, sempre foi vivido com respeito e alegria. Aprendi com eles que o futebol é sagrado, que deve ser vivido sem medo. O torcedor deve se expor, mostrar sua paixão, acreditar no seu time, ganhando ou perdendo, ele tem todo o direito de ter o seu amor por uma camisa. O que não pode é ser censurado, questionado. É e pronto!

Se for perguntar a cada um por que escolheu aquele time para torcer, garanto que falarão de alguma história envolvendo a família. Eu, vendo o amor que meu pai tinha pelo Vasco da Gama, seus olhos brilhando ao vê-lo jogar, resolvi seguir seus passos. Já foi rebaixado,  foi vice várias vezes,  perdeu, mas também já ganhou campeonatos e me fez feliz. Não me importo se ele perde mais do que ganha, o que quero mesmo é continuar torcendo, sentindo o meu coração saltar quando entra em campo. E quero ser livre para expressar esse amor, sem ser cancelada.

Nos tempos atual, com a chegada das redes sociais, ficou tão triste ser torcedora. Não bastasse a violência que já existe dentro de campo, temos que lidar com o que acontece fora dele e nas redes. São comentários absurdos de torcedores que se gabam em dizer que seu time é o melhor e sempre será. No futebol não existe o melhor, tudo é provisório, toda situação pode mudar, nada dura para sempre. Se hoje está numa ótima fase, amanhã pode não estar.

E nesse momento em que o futebol voltou, retornou com o "novo normal", como é doloroso ver um jogo sem público! Um futebol sem alma. Mas parece que já estamos nos acostumando com a situação e já não gera mais tanta estranheza. Mesmo sem público, ainda nos fornece alegria, emoção, ainda é a paixão nacional. Aquela que a pessoa para tudo que está fazendo para assistir a um jogo, que junta um dinheiro que nem possui para ver um jogo longe de casa, a que leva o indivíduo a levar seu filho bebê ao estádio, que o faz chorar quando o seu time vence ou perde. Futebol é amor, é emoção, mas nunca poderia ser desrespeito, tristeza, desamor, realmente não combina.

Quem sabe se nesse momento em que estamos privados de ver nossos times em campo, não possamos rever nossos conceitos nessa relação de amor e ódio. A rivalidade sadia é tolerável e faz parte do jogo, mas a brutalidade do desrespeito e da violência, não cabe mais em tempos atuais. É momento de valorizar esse esporte tão mobilizador, que agrega, que consola, um esporte que faz diferença e muda a vida de muitas pessoas, um esporte que não é apenas um esporte, é muito mais, é o amor em sua plenitude.

Danny Santos 

Caetanear

Danny Santos

Ilustração: Nando Motta 
07/08/2020


Desde que soube pelas redes sociais que iria acontecer a tão sonhada live do Caetano, já comecei a pensar em suas músicas e em sua importância para música popular brasileira. Ele é ícone, mestre, ídolo, lindo, sedutor, encantador, cantor, compositor a frente do seu tempo, eclético, claro, poeta, baiano... Caetano .

Conheci Caetano quando tinha uns 12 anos e fiquei admirada e apaixonada por suas canções. Escutava nas novelas e o via nos programas de tevê. Na minha casa tocava seus discos, suas músicas eram cantaroladas por meus pais e pelo meu avô. Em todas as festas da família. Como agradeço imensamente por terem mostrado o caminho da boa música.

Segui ouvindo intensamente suas canções na faculdade. Lembro do meu aniversário de 18 anos, que comemorei com meus amigos tocando violão até de madrugada, com muitas músicas de Caetano. Todo mundo" pra lá de Marrakesh".

Meu pai trouxe o disco do Djavan pra casa e colocou pra tocar em nossa vitrola. Escutei "Sina" e compreendi na hora o que significava, "Caetanear o que há de bom". Pra mim virou verbo. Aquele verbo bom de conjugar.

Quando Gal cantou Força Estranha, com aquela voz arrebatadora, todos queriam saber quem era o compositor. Era dele. Tudo que é mágico, é de Caetano!

Ele é o tipo de artista próximo, que se faz presente de alguma maneira em nossas vidas. É o maior artista brasileiro do século XX.

Poesia e musicalidade unidas com perfeição, com um dom pessoal. O que me deixa ainda mais feliz, é ter vivido na mesma época que ele. Poder ter o contato com sua obra, ouvir o que diz e o que pensa, é valioso. Quando o vejo tocando, cantando, aguça-me a vontade de aprender violão e a escrever. Algumas canções que já fiz teve a influência direta dele. É inspirador! Ainda tenho as revistinhas com as cifras, esperando aprender e começar a tocar! A vida corrida ainda não permitiu! Por ele, valeria tentar. " Como é bom poder tocar uma instrumento".

No dia do seu aniversário, acordei, liguei o som e coloquei pra tocar todas as suas músicas. Todas, todas! Enquanto escutava, várias sensações iam se desenhando em minha mente. Caetano é amplo, é leve, é político, é emocional, passional, simples, coloquial, informal. Suas letras são milimetricamente desenvolvidas, inteligentemente pensadas. É fantástico ouvi-lo.

O vi uma vez pessoalmente, num show que fez com Gil. A emoção tomou conta do lugar. Vi pessoas cantando, vi pessoas chorando, nada que me surpreendesse. Impossível não ficar tocado com uma canção de Caetano.

Hoje vendo-o todo " serelepe" cantando com seus filhos , com sua jovialidade, lucidez e genialidade, só confirma como somos privilegiados .

Só queria " estar perto de você e entrar numa".

Solidariedade em novos tempos

Danny Santos 

@danysousa20 

03/08/2020


     Estava numa segunda-feira assistindo um programa na tevê, sem nenhum compromisso, quando deparo-me com Padre Júlio Lancelotti. Já o conhecia, sempre soube do seu trabalho social na Paróquia de São Miguel Arcanjo, mas o que contou naquela noite, me tocou profundamente. O padre falou um pouco sobre como está sendo o seu trabalho nas ruas, lidando com todo tipo de pessoa, de história e de como o ser humano que vive à margem da sociedade está abandonado. Foi um depoimento estarrecedor, que envergonha aquele que está confortável em sua casa.

   O padre percebeu que apenas as suas ações dentro da igreja, não iriam atingir o número de pessoas que estavam precisando nesse momento. Durante a pandemia, a população de rua praticamente duplicou e ele se viu obrigado a pôr a mão na massa, lugar onde nem o governo chega. Com ajuda de voluntários, vai a procura de quem precisa.

    Com tão pouco podemos devolver dignidade a pessoas que nunca vimos, mas que existem. Ele disse que comprou um conjunto com 3 cuecas e deu para um morador de rua. Este ficou tão emocionado, que começou a chorar, dizendo que havia sido o primeiro presente que ganhara na vida. E completou, dizendo: - Agora sou um cidadão, porque tenho cuecas novas!

    É complexo, é difícil , mas temos a total consciência de que a desigualdade social assola cada vez mais esse país. Não há previsão de mudança a médio nem longo prazo, então é preciso mobilização.

   Se o governo não vê essas pessoas, muitos na sociedade também não, ainda existem algumas que se mostram disponíveis para colaborar. Pessoas com pouco para oferecer, mas com vontade de transformação.

    Nesses novos tempos, descobrimos que o menos é mais, que já conseguimos viver com bem pouco. Com esse pensamento, fica mais fácil pensar no próximo. Conversando com um amigo outro dia, me falou que quando faz frio, tem dificuldades de dormir, porque fica pensando nas pessoas passando frio e sem ter onde morar. Ele está quentinho em sua cama, mas o seu irmão pode estar morrendo de frio na rua. Se a dor do seu próximo te comove, você está no caminho certo.

     Assim como as ações do padre Júlio estão fazendo a diferença na vida de muita gente, cresceu o número de pessoas se organizando, sem nenhum tipo de apoio, simplesmente para ajudar. Distribuindo alimentos, roupas, livros, cestas básicas, material de higiene e outros. Minimizar a dor, a tristeza e as vezes somente sendo luz em seus caminhos. Estar envolvido em algum tipo de projeto social, traz um alívio enorme ao coração. É a sensação de que não se está de olhos fechados para as mazelas da vida e que não importa como se chegou aquele ponto e sim que existe alguma esperança em sair.

    Infelizmente quem realmente poderia estar colaborando nessa luta, não está. Pessoas privilegiadas financeiramente, empresas de grande porte, enfim, não perceberam que o social deve estar alinhado ao seu objetivo. Ultimamente tenho preferido comprar apenas em empresas onde a visão social esteja visível. Se não estiver, com certeza não verá o meu dinheiro.

    Existem várias formas de ser solidário, basta realmente olhar a sua volta. Informe-se, pesquise e descubra onde poderia ser útil. Garanto que encontrará. Se puder ajudar pelo menos 1 pessoa, já estará praticando a solidariedade em seu sentido mais nobre.

Nunca é tarde para começar, mexa-se! 

 Dia da mulher negra

Danny Santos @danysousa20

Tereza de Benguela, foi a escrava que virou rainha e liderou um quilombo, no atual estado de Mato Grosso, morreu lutando por igualdade e resistência. Ela comandou uma estrutura administrativa, praticamente política, no Quilombo do Quariterê, mais conhecido como Quilombo do Piolho, que abrigou mais de cem pessoas, entre negros e índios. Nos anos 80 para homenagear essa heroína, foi criado o Dia das Mulheres Negras Latino-americana e Caribenhas. E aqui no Brasil, uma lei no ano de 2014 foi instituído o dia 25 de julho, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. É uma história que realmente vale a pena conhecer, pois é inspiração para pessoas e principalmente mulheres negras, a seguirem seus caminhos. Benguela foi uma liderança, uma voz ativa numa comunidade, num lugar de luta. Sobreviveu até 1710, quando o quilombo foi destruído. 

A luta de uma mulher negra e principalmente pobre, é grande. Está diretamente ligada a um sistema racista sempre existente na sociedade. O sistema colonial explorador, escravocrata, que criou a ideia de superioridade e inferioridade, que durante anos perdurou como aceitação dessa condição pelo negro, mesmo com a assinatura de uma lei. Atualmente o racismo continua mostrando sua cara e dizendo para quem quiser ouvir, que mesmo escondido, ele existe.

E essas mulheres existem e estão tentando viver suas vidas, enfrentando desafios diários , lidando com um vírus mortal, desemprego e violência.

A morte de George Floyd girou os olhos do mundo para os EUA, para pessoas que morrem todos os dias pelo simples fato de serem negros. Movimentos antirracistas cresceram, artistas apoiaram, hastag foram criadas, rede sociais mobilizadas com movimentos no mundo inteiro. Aqui no Brasil não foi diferente, mulheres e homens negros saíram em protesto contra o racismo que esmaga, asfixia e acaba com sonhos. Mulheres ganharam voz, espaço nas redes sociais de famosos e puderam mostrar que os movimentos existem, estão cumprindo seus papéis de informar, mobilizar e representar uma maioria, mas que precisam de mais espaço. É preciso chegar aos ouvidos de crianças, de pais, da família e principalmente, do negro.

A mulher negra resiste, a mulher negra está cada vez mais encontrando o seu caminho e quando isso ocorre, uma grande revolução está acontecendo. A partir do momento que um negro reconhece o seu valor, o seu papel na composição de uma sociedade e que a melhor forma de lutar por reconhecimento e direitos, é através da educação e do intelecto, tudo muda ao seu redor, tudo começa a fazer sentido. Vidas negras importam e sempre importaram.

No Brasil temos um racismo sistêmico, aquele que todos percebem, que está presente no dia a dia, mas ninguém questiona. Do negro que vai ao mercado e é seguido pelo segurança, da mulher negra que entra na loja de grife e é ignorada pela atendente, enfim, de vários exemplos que poderia ficar aqui listando e duraria muito tempo. Segundo o Instituto Identidades do Brasil( Id_br) , a estrutura de classificação racial se dá por conta das nossas características visíveis. Por isso, nossa cor de pele tem a possibilidade de definir se somos mais aceitos ou não em alguns lugares. Da mesma forma que podemos usar a linguagem para continuar oprimindo, podemos usar para libertar. " Se você é uma pessoa parda é importante reconhecer-se como uma pessoa negra e se você é uma pessoa negra sinta orgulho de quem você é. Desse modo, evite usar palavras como " moreno", " mulata", " pretinho", " de cor", " escurinho", para se referir a uma pessoa negra ( sendo ela preta ou parda). É importante reconhecê-la como negra" afirma o Instituto Identidade do Brasil.

Algumas pessoas brancas que refletem sobre a questão, mostram indignação, querem até colaborar para a diminuição dessa realidade, mas não sabem o que fazer e nem por onde começar. Sugiro que comecem enxergando os negros que estão ao seu redor, pesquisando, informando-se sobre a sua cultura e a partir daí, com certeza saberá o que fazer, como se comportar e a respeitá-los.

 Ah! Mulheres negras brasileiras, quanta força elas nos mostram! Muitas criam sozinhas seus filhos, fazendo malabarismos para educar, estar presente, ser mãe e profissional. Mulheres negras seguem propondo uma sociedade mais justa e plural e algumas acabam até perdendo a vida por isso. Essa transformação que está acontecendo na vida dessas mulheres  é fruto da luta histórica que Benguela iniciou em 1740.  Esse é o legado de Tereza , sua resistência, seu poder e não aceitação de uma condição imposta, de opressão e determinação. Mulheres negras  movem a Terra! Mulheres negras, merecem respeito.

Conheçam:

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Pessoas que me inspiram

Danny Santos


Em uma das minha meditações, foi pedido uma tarefa para cumprir: anotar no caderno o nome de vinte pessoas que te inspiram, que não fossem da família. Entre Dalai Lama. Malcom X, Martin Luther King, Martha Medeiros, me veio o nome de Michele Obama. Ainda estou lendo a biografia dela e pretendo terminar ainda esse mês. O que mais me chamou atenção nessa mulher foi a coragem, o espírito destemido de ser. Desde cedo seus pais a criaram para ser uma mulher independente e sincera, sem sombra de dúvidas conseguiram concluir esse missão. Sua história virou livro, documentário e deveria ter virado filme. É preciso mostrar ao mundo que uma mulher negra, americana e nascida em South Side, em Chicago, venceu. Venceu e hoje inspira milhares de meninas e mulheres pelo mundo, inclusive a mim.

Fica claro que ela foi a âncora e o suporte que Barack precisava para se tornar quem é durante muitos anos. Michele nunca foi coadjuvante e sim a protagonista da sua própria vida e de uma força admirável. Desde cedo enfrentou todos os tipos de obstáculos que uma jovem mulher poderia enfrentar e ao invés de se acomodar, mostrou que podia ser mais e entrou para uma das melhores faculdades do mundo, a respeitada Universidade de Princeton e na escola de Direito de Harvard. Ela mostrou que podemos, podemos sim, podemos conquistar o que desejarmos. Basta querer!

No livro e documentário ela nos mostra o quanto foi difícil sua caminhada como filha, irmã, mãe, profissional, esposa de Barack e primeira dama dos EUA. Sua convivência com seus muitos funcionários na Casa Branca, com seus guarda-costas e com toda a estrutura que estava por trás daquilo. Ela não sabia se o país estva preparado para receber um presidente negro naquele momento. E passou por momentos difíceis de difamação e especulações sobre suas atitudes. Era a primeira dama, mas também a mãe de Malia e Sasha. Ela tentou mostrar a todo tempo para as meninas que aquela condição era passageira, que a vida não se resumia a Casa Branca. queria prepará-las  para lidar com a vida depois do mandato de seu pai. Fazia o enorme esforço de levar uma vida " normal" dentro daquela realidade.

Sempre acompanhou de perto todo os movimentos políticos de Barack e esteve envolvida em várias situações na política. Conviveu com todo o tipo de pessoa, viajou o mundo inteiro e conheceu o grandes líderes. Soube conduzir com maestria sua passagem por cada lugar. Esteve aqui no Brasil e visitou escolas, com sua grande luta: mostrar a importância da educação à crianças e jovens.

No seu documentário,  encontra-se com jovens negras americanas e todas as meninas mostram-se animadas e inspiradas com sua presença. Planta esperança no coração de cada uma e diz que suas escolhas podem determinar suas vida. É impressionante como cada palavra dita por ela faz sentido e tem um enorme significado.

Ao autografar o seu livro, foi recebida por um grupo em sua maioria de mulheres, de todas as idades e classe social, que contavam por que era importante conhecê-la. Uma disse que teve depressão pós-parto e que se curou ao ouvir Michele . A outra veio de longe apenas para dizer que Michele havia mudado sua vida.

Uma deles pergunta como conseguiu fugir da invisibilidade por ser uma negra americana. Ela respondeu que nunca sentiu-se invisível e que seus pais foram responsáveis por esse sentimento. Sempre sentiu que fazia parte de um mundo que também era seu. Disse que cada pessoa deve encontrar as ferramentas dentro de si próprio e não se vitimizar. Não deixar que o mundo o atropele.

Se podemos fazer a diferença em nossas vidas ou na vida de alguém, que façamos. Que tenhamos o movimento de ter a atitude, não importa qual seja. Ela e sua família viveram o racismo na pele, no bairro onde moravam, na faculdade que frequentaram. Mas em nenhum momento ela se subestimou ou se inferiorizou, ela seguiu. Diz que todo adolescente negro que ouvir que algum tipo de lugar ou colégio não seja para ele, rebata e diga que NÂO , que  qualquer lugar é para ele, se desejar estar ali.

Pra mim ficou a lição de que não existem limites quando se quer realmente alcançar um objetivo, não importa se é pobre ou negro. Não importa as dificuldades que a sociedade te imponha, mas jamais deve sentir-se invisível em seu próprio lugar. Você existe e tem o seu espaço, ainda que te digam ao contrário. E que nunca é tarde para se começar algo, sempre há tempo. Sentiu vontade de realizar, comece! Palavras de Michele Obama!

Para sempre, meu pai 

Danny Santos - 2020 

danysousa20@yahoo.com.br

Quando se perde um pai ou uma mãe, o mundo interior muda radicalmente. Um ciclo se fecha e uma lacuna se abre. Em meados de abril, um dia após o Dia de São Jorge, santo que era devoto, partiu. Foi de uma maneira brusca e foi de uma tristeza imensurável. Não pude me despedir de você, a pandemia me impediu de te dar o meu último adeus. A pandemia  impediu de estar com você durante todo o processo. Sempre estive ao seu lado quando precisava ir ao médico ou realizar alguma intervenção cirúrgica, nunca o deixei sozinho. Mas dessa vez, não pude acompanhar, te dar a força que precisava, estar com você e dizer que tudo iria ficar bem. Não pude...

Parece que fiquei em falta com você. Mas hoje, passado alguns meses, consigo entender que as coisas acontecem e nem sempre temos controle sobre elas. No dia do seu aniversário, quando deu meia noite, fiz uma prece e agradeci por ter sido meu pai nesta vida. Por ter me dado tanto amor e tanta atenção. Peguei o álbum de família e revi as nossas fotos. Descobri que você sempre gostou de tirar fotos nossas, talvez daí venha a minha fascinação pela fotografia. Algumas fotos você cortava as nossas cabeças, mas a intenção de registrar a nossa felicidade e diversão, superava qualquer erro. Ultimamente você estava correndo de fotos e dizia que já não sentia-se a vontade para tirar. Fotografá-lo era um custo. Ainda bem que o fiz mesmo contra , porque hoje quando as vejo, lembro de cada momento.

Você era tímido em algumas ocasiões, mas na maioria das vezes era expansivo e simpático. Principalmente quando estava entre os seus. Tinha o hábito de ler os jornais todos os dias, hábito que herdou do seu pai, o vovô Didi e que ficou registrado em mim. Meu avô vivia entre livros, jornais e revistas e meu amor por esse mundo veio dele. Meu pai era sempre bem informado sobre política, economia, diversidades e até fofocas de artistas ele sabia. Custou a se render a tecnologia e as redes sociais. Aceitou apenas usar o whatsapp e disse que facebook, jamais entraria. Ele dizia que não via graça em ver a vida dos outros e expôr a dele. Eu o rebatia com o argumento de que tudo acontecia nas redes sociais e que era uma forma de acompanhar a vida de pessoas que eram próximas, de encontrar pessoas que já fizeram parte da nossa vida e daquelas que estavam longe. Mesmo assim, não o convencia

Ele descobriu a rádio no celular. Sempre foi muito ligado à radio e tinha o seu na cozinha. Aprendeu a abrir a  TUPI pelo aplicativo e sentia-se feliz por isso. Eram pequenas conquistas de um mundo novo, tecnológico que ao mesmo tempo que unia pessoas, também afastava.

Você foi um grande jogador de futebol, se fosse seguir a carreira teria sucesso absoluto. Todos reconheciam o seu talento, os amigos de infância, do trabalho e quem o visse jogando. Eu o via jogando nas "peladas" do quartel, eram resenhas semanais que você ia e me levava as vezes. Você jogava muito bem, por isso entendo seus conselhos aos seus netos, que também jogam e um dia querem ser como você. Daí veio a sua paixão pelo futebol. Mas uma vez o vovô Didi sendo responsável em desenvolver esse amor pelo esporte. Acompanhava todo o tipo de esporte e os que mais gostava eram futebol e tênis. Você passava horas e mais horas vendo Roger Federer e Nadal. Primeiro me explicou tudo sobre futebol: volante, zagueiro, meia... depois fui pedir explicação sobre o tênis e me ensinou todas as regras. O amor que eu tenho pelo futebol veio do vovô Didi , passou por você e chegou até aqui. Acho que consegui plantar no coração do meu filho.

Quanto falta você me faz. Como somos parecidos, como tínhamos uma conexão de alma. Com a sua partida do plano físico, fica em mim a sensação de que fui privilegiada por ter um pai tão especial. Tenho muitas histórias suas e nossas para contar e prometo mostrar ao mundo. Pretendo olhar para frente e carregá-lo no meu coração, porque sei que onde estiver, estará vibrando com minhas conquistas e alegrias, pois sempre fará parte disso.

Para sempre, meu pai.

Lições de uma pandemia

Danny Santos  - 2020 
danysousa20@yahoo.com.br


Foi no dia 15 de março que tive a consciência de que algo muito sério estava acontecendo. Já sabia o que era uma pandemia ( enfermidade epidêmica amplamente disseminada), mas jamais em minha vida achei que pudesse passar por uma um dia. Meu avô certa vez falou sobre a gripe espanhola e no seu olhar de pavor, pude ter ideia do quanto foi horrível. Não tem como comparar os tempos, mas o sofrimento humano é o mesmo. Hoje temos mais recursos, tecnologia para enfrentar esse vírus mortal, mas passados cinco meses ainda não temos uma vacina preparada para dar fim a esse mal.

Enquanto isso, sigo em isolamento social desde março e com a convicção de que essa atitude seria a mais correta para enfrentar a realidade. Mesmo que muitos não concordem, continuo acreditando que quanto menos pessoas na rua, menos o vírus irá se disseminar. Acabei descobrindo que o meu lar poderia ser o meu mundo. Vivendo, eu, filho e marido sob o mesmo teto, tivemos que construir uma nova rotina, onde combinasse e fosse respeitado, o jeito de cada um. Nada de brigar pelo controle remoto! Muito menos pra saber quem vai lavar a louça!

O início foi bastante complexo. Tenho um pré-adolescente dentro de casa, que já demonstra querer ter o seu próprio espaço. Sinto-me na obrigação de respeitar, de entender que o momento não é de embates, nem de discussões. Mas é claro que " o bicho pega" na hora de acordá-lo para suas aulas online. Aulas online, devemos amá-las ou odiá-las? No meu caso, acabei gostando desse novo jeito de fazer a escola seguir, mas admito que a Educação, nem os pais estavam preparados para essa mudança brusca. Muitos erros no início, muitas reclamações tanto dos pais como dos professores, mas não há como  negar que a escola precisava seguir e seguiu. Algumas irão incorporar a tecnologia para sempre em seu planejamento.

Ao me ver presa dentro de casa, precisei reinventar uma rotina , para que meu emocional não saísse de órbita. Pensei em mil coisas para fazer: como ler livros, ver filmes e séries, mas a preocupação com o vírus era tão grande que não conseguia me concentrar. Ganhei peso e me bateu o desespero. Sentia-me uma inútil. Passados dois meses, comecei a encarar a realidade de que tudo isso iria durar bem mais do que o esperado e resolvi colocar a mão na massa. Minha primeira atitude foi entrar em contato com um psicólogo online. Nunca havia feito uma terapia, sempre tive vontade e agora me via de frente pra um que morava em Goiânia. Foi a minha melhor decisão, ajudou-me a refletir sobre várias questões, entre elas a importância que dou a minha vida, as minhas vontades e necessidades.

Desde esse momento passei a cuidar do meu corpo, contratando um personal online e treinando todos os dia. Descobri que podemos fazer tudo sem sair de casa! Entrou na minha vida uma Nutricionista. Já estive em várias durante toda a vida, mas a maioria não focava no emocional e somente na comida. Pela primeira vez, comecei a entender que a comida representa bem mais do que saciar nossa vontade, é uma questão de saúde. Estando bem com o seu corpo, com o que você vê no espelho, sua motivação para seguir em frente, é muito maior. Respeito totalmente quem continua acima do peso, sentindo-se bem e com os exames em dia.

Foi um passo gigantesco tomar esses decisões e trazer esses profissionais para minha vida. Estou conseguindo trabalhar, cuidar da alimentação, fazer a terapia semanal, os treinos diários e a meditação! Ah! A meditação! Esse assunto merece um texto só pra ele! Meu sono foi embora durante o isolamento e relutava em iniciar calmantes e remédios. Então, no grupo da academia, entrou uma pessoa que fazia meditação orientada e perguntou: - Quem gostaria de participar do programa dos 21 dias de Deepak Chopra? Sem pensar duas vezes assinalei que eu queria! Boa decisão menina! Essa meditação iria trazer o meu sono de volta e mostrar um mundo a parte.

Lembro muito bem das pessoas que estavam contando os dias para 2019 ir embora,  dizendo que nunca mais iriam reclamar de um ano, pois poderia vir coisa pior pela frente. Exatamente. Está sendo um ano muito ruim em vários aspectos, mas ainda assim não irei desconsiderar esse ano em minha vida. Foi o ano em que o mundo parou e que fomos forçados a nos reinventar e descobrir que temos a capacidade de adaptação, somos humanos.

Pra não dizer que não falei de amor...

Danny Santos  
2020


Pra não dizer que não falei de amor...

Semana dos apaixonados, dia dos namorados, semana do amor...Parece que o mundo se envolve nessa camada romântica, tudo fica mais leve e colorido.
Pegando carona no dia de São Valentim, santo católico, adaptamos o nosso para a véspera do dia de Santo Antônio e ajudamos o comércio a aquecer suas vendas. Quem nunca presenteou seu par, seu "rolo" ou marido?
As redes sociais lotam de declarações, corações, fotos de casais apaixonados e nos perguntamos: - Que sentimento é esse que tanto nos intriga ? Difícil é definir o amor entre os homens, porque não está mais idealizado como na época de Shakespeare, Camões... Estamos no século XXI e muita coisa mudou, até a forma de amar.
Quem ama a si próprio é capaz de amar o outro e conseguir ver através do coração. O amor não sufoca, não agride, não desrespeita ou tira a liberdade.Ele vem para somar o seu eu com outro eu. Podem ser pessoas com pensamentos totalmente diferentes ou com os mesmo pensamentos, mas quando têm amor no meio, saberão lidar com igualdades e diferenças da melhor forma. O amor não escolhe idade, gênero, raça, cor ou tamanho, ele é maioral.
Se deseja estar ao lado de alguém e vice-versa, já é motivo suficiente para que esse amor sublime se instale.O amor não causa danos, mágoas, separações ou quebras.Onde ele entra, sempre haverá o perdão, a compreensão e o entendimento. Se por acaso isso não acontecer, você ainda não descobriu o seu amor verdadeiro.
O amor não termina nunca, nem com a morte e é capaz de suportar muitos obstáculos sem desistir. É quando alguém abre mão de um relacionamento que não está lhe fazendo bem, para que o outro possa seguir em frente e encontrar a sua felicidade. Amor e felicidade é a busca incansável do ser humano. Todos queremos amar e ser amados, viver e ser felizes. Essa eterna procura nos faz seguir em frente sem olhar para trás muitas vezes.
O amor pode estar no tinder, no vizinho ao lado, no amigo de anos, no sinal de trânsito, no cinema, no trabalho...está pairado no ar e temos sempre que estarmos abertos aos sinais que vai deixando pelo caminho. Não podemos passar por essa vida sem ter experimentado o amor, não seria justo.Quem sente diz que é um sentimento que invade, transborda, alucina, modifica, engrandece e se mantém intacto, ainda que muitos queiram destruí-lo.
Só quem viveu esse momento é capaz de descrevê-lo e quem ainda não encontrou não desista, porque vale a pena encontrá-lo. Mas antes de sair por aí perseguindo esse amor, prepare o seu coração e sua mente para recebê-lo. Veja com os olhos do coração e ele poderá estar mais perto do que imagina. Não é o príncipe encantado, nem a Cinderela, mas a pessoa certa para dividir esse sentimento com você.
" Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito, enquanto dure."

Por Danny Santos

Amigos são anjos

Danny Santos


Amigos são anjos

Chegamos ao mundo e já encontramos bem pertinho, nos dando amor, carinho, proteção...nossos pais e primeiros amigos. Nos anos escolares já temos aqueles amiguinhos que ficam perto da gente, que brinca, corre, nos dá a mão.No ensino fundamental aparecem os que grudamos, fazendo trabalho de casa na casa em grupo, aulas de Educação física, ficamos ao telefone o dia todo.Depois vem a fase do ensino médio, faculdade, adolescência, namoricos, estudos, e eles estão sempre a nossa volta, ajudando, dando força, animando, zoando...essas pessoas as vezes se tornam mais presentes do que nossa própria família.São os amigos! São os anjos!
Gente que vai se agregando em nossas vidas de forma tão intensa, que não conseguimos viver longe. Uns chegam, outros vão e assim vamos vivendo.Pode nascer de uma simples conversa de mercado ou até de uma conversa no messeger.
A amizade é um relacionamento precioso e íntimo, que deveria ser mais valorizado.Do seu amigo você sabe tudo, conhece seu jeito, gosto, personalidade e não se engana com suas atitudes. Não há ego inflamado, inveja, competição, desprezo... deseja pra ele o mesmo que desejaria pra você.
Muitos acham que é difícil fazer amigos nos dias de hoje, onde tudo é muito intenso,há interesses materiais e sentimentos se confundem. Acontece que antes de serem amigos, são pessoas, são humanos, têm defeitos, têm vontades, atitudes, criação, vivência, que é preciso compreender. Essa é a palavra que resume o que um amigo representa na vida de alguém: compreensão. Entender um amigo é uma das tarefas mais difíceis de se conseguir.Você age de uma forma e ele pensa de outra. Não há problema, pois amigos se respeitam.
A menina chega em casa toda animada porque foi promovida no trabalho e liga pra sua melhor amiga pra irem a uma balada comemorar e ela diz que não está no clima pra sair. Acabou de terminar um namoro. A amiga poderá ficar chateada com a resposta ou compreender o momento que a outra está passando. É justamente essa atitude que irá nortear sentimento e a capacidade de participar da vida do outro, entendendo suas atitudes, reações, seus momentos e medos. Porque momentos, surgirão aos montes e um melhor amigo, nem sempre.
Perder um amigo é mais fácil do que conquistar, isso é fato. Justamente porque atitudes contrárias foram tomadas ou por vários motivos que não teria como enumerar, surgiram no caminho.Quando isso acontece duas coisas poderão serem feitas: perdoar ou se afastar. O que mais acontece é o afastamento, quando o ideal seria o perdão, o entendimento e a compreensão. Olha aí as palavras entendimento e compreensão de novo! Se um amigo te magoou, te feriu, te entristeceu, motivos ele teve pra esse comportamento e cabe a você descobrir e esclarecer. Só não vale perder um amigo sem antes terem um diálogo.
Conheço pessoas que ficaram vinte anos sem se falarem por conta de uma injúria que não foi esclarecida.O tempo foi passando e nenhuma das duas tiveram coragem de conversar.Foi preciso um terceiro amigo voltar de uma longa viagem e esclarecer os fatos que fez paralisar essa amizade. Um amigo também tem esse papel, de conciliador, mediador, as vezes até cupido.Ele se envolve pra tentar salvar uma amizade!
Esses "agregados" que vamos acumulando durante nossa caminhada são pessoas que podemos ficar longe, que o sentimento não muda.Sabemos que estarão ali, sempre que precisarmos. E se não estiverem, não há importância, porque saberemos o motivo de não estarem. É confiança, sinceridade,cuidado e preocupação.São coisas que irá sempre esperar do outro, mas que as vezes ele não encontrará e nem por isso ficará desapontado, porque é o amigo.
Amigo é pra se orgulhar, torcer com cada conquista, ser ombro quando precisa desabafar e chorar, ser palavra que consola e estimula, ser resiliente...amigo precisa apenas ser! Ninguém entra por acaso em nossas vidas e quem entrou e permaneceu é porque merece esse amor. Amigos são pra se amarem e viverem juntos essa viagem chamada VIDA.

por: Danny Santos


Attraversiamo

Danny Santos 


Attraversiamo

Lá pela página 80 do maior sucesso de Elizabeth Gilbert, "Comer, rezar e amar", ela diz que a palavra "attraversiamo" é a mais encantadora que já ouviu na vida e desde essa leitura, passou a ser a minha preferida também." Attaversiamo" ou vamos atravessar, parece tão sonora e tão significativa, que me marcou. Deve ter sido pela minha obsessão pela Itália, por minha vontade louca de ir à esse velho país, que me desperta as maiores emoções e pensamentos.
Abro minhas redes sociais e vejo muita gente viajando nos mais diversos lugares, próximos ou longínquos e todas com um sorriso de orelha a orelha. Viagens de fim de semana, viagem de dez dias, viagens de um mês! Todas têm sua função: sair de onde estamos, atravessar!
Tem gente que diz que viajar é o mesmo que trocar a roupa da alma. Faz todo sentido, é alimentar a alma de sensações novas e trazer renovação. Quando criança me perguntavam : - O que você quer ser e fazer quando crescer? Respondia na lata: - Escrever e viajar!
Quando você planeja uma viagem, deposita sonhos, expectativas e espera sempre trazer além de malas cheias, um coração e uma mente lotados de novidades.Conheço amigos que vivem fazendo isso, viajando e deixando de lado a massacrante rotina nossa de cada dia. É a melhor forma de viver, conhecendo novas culturas, pessoas, gastronomia, lugares...até o pôr do sol é diferente em cada lugar.
Essa vontade antiga de conhecer a Europa, um dia irá se realizar e ao chegar à Itália, irei ver de perto os lugares que sempre sonhei em conhecer, as vielas, ruínas e igrejas que permeavam os meus sonhos e o sotaque perfeito dos italianos, que só em escutar, dá arrepios. Roma, Coliseu, Obelisco Salustiano, Basílica de São Pedro, Templo de Saturno, Templo de Apolo Sosiano, Castelo de Santo Ângelo, Arco de Constantino, Templo de Adriano, Basílica de Constantino, Veneza, Florença, Nápoles ( onde tem a melhor pizza do mundo), Torre de Pisa...enfim todos esses lugares emblemáticos.
Antes desse momento chegar, me concentro em conhecer cada pedacinho do meu país, que não perde em nada pra nenhum lugar do mundo em beleza e excentricidade.Dá minha viagem mais recente lembro de ouvir mais estrangeiros no meu hotel, do que brasileiros. Eles bem sabem do nosso potencial e se rendem ao que há de mais perfeito aqui, as belezas naturais.
Quando faço as malas, a sensação de liberdade parece pular sobre meus ombros e meu corpo agradece os dias de descanso e a mente também. Uma viagem é mais do que necessária na vida de qualquer pessoa. Nela você se encontra, reorganiza ideias, toma decisões, relaxa, esquece que tem uma cota extra no seu prédio, que é preciso fazer nova pintura na casa, que tem um trabalho pra entregar em vinte dias...é a pausa que estava precisando! É paralisar a vida por uns dias. Pausa em tudo que se torna rotineiro e repetitivo e power para a uns dias sem lei!
Com isso vamos "attraversiamo" pela nossa vida e reajustando o nosso leme, ao destino de nos tornarmos pessoas melhores. A vida deveria ser assim, atravessar, fazer as malas, viajar, partir e retornar com o coração cheio de coisas boas.

Por: Danny Santos

Lugar certo

Danny Santos


Lugar certo

Vejo os programas de competições culinárias e mostram pessoas totalmente fora dessa profissão se aventurando na cozinha.Se ele sempre gostou de culinária, por que é consultor financeiro? Ou gerente comercial? É a pergunta que não quer calar: - Você está no lugar certo? -Você tem prazer em executar a sua profissão?
Chego no escritório e vejo pessoas com péssimo humor, contando na folhinha os dias para o fim de semana, respondendo mal a todo mundo...Claro que ninguém na face da terra vai trabalhar feliz numa segunda feira! Sempre nos questionamos sobre a nossa vocação profissional, desde os tempos do ensino médio. Muitos fazem teste vocacional para saber quais profissões combinam e para não correr o risco de errar na escolha, mas na prática é tudo diferente.
A definição de uma profissão, carreira, vai muito além da vocação, da tendência natural para uma habilidade. Dependem de oportunidades, de uma série de questões...Nos tempos competitivos e difíceis de hoje, no país e no mundo, fica difícil escolher uma que possa trazer o retorno financeiro esperado e que seja a que realmente nos identificamos. Pensar no valor que se ganhará é mais importante do que o prazer em fazer algo. Ter condições de entrar numa faculdade ou curso que o leve até lá, é o caminho das pedras, que pode nem chegar ao término.
O grande problema é que no dia-a-dia fica nítido a insatisfação no ambiente de trabalho. O que acaba criando pessoas infelizes, amarguradas, tensas, tristes, que acabam gerando momentos ruins aos que estão a sua volta. Secretamente ficamos sabendo que o gerente comercial gostaria de ser o guitarrista de uma banda e que a secretária dele, investe em cursos de gastronomia com o salário que ganha e tem o sonho de abrir o próprio restaurante. Nas festas da empresa ele leva toda sua banda e mostra como é um bom músico, mas nunca teve coragem de se aventurar e perder o salário que o sustenta. Já a secretária, cozinha nos fins de semana para amigos e familiares e sempre recebe muitos elogios, mas jamais pensou em sair do seu emprego fixo na empresa.
Com o drama econômico que estamos vivendo hoje, muita gente está sendo forçada a dar essa guinada na vida, do dia para noite. A vizinha foi demitida, após trabalhar mais de vinte anos prestando serviços para uma grande estatal, teve que se reinventar com sua rescisão e abrir seu próprio negócio.Ela que já tinha um pé nas delicatessens, abriu uma loja de brownies e doces. Passando pela lojinha, você a vê com o maior sorriso no rosto, sorriso de quem está feliz da vida com o que está fazendo.
A hora da guinada, as vezes é definida por você e não tem dia e nem momento para acontecer. Uma amiga de infância por exemplo, era contadora de uma empresa que sempre passou por dificuldades financeiras e a cada ano enxugava seu efetivo.Apertava tanto que tirar férias era um custo ( realidade de muitas empresas nesse momento), o funcionário inclusive tinha medo de pedir as férias e quando voltasse, encontrar uma carta de demissão na mesa. Mas naquele ano ela teve sorte e conseguiu suas tão sonhadas férias. Chegando ao paraíso, o que deveria ser dias maravilhosos, tornou-se dias de tormenta. Ela decidiu que não trabalharia mais lá, que não tinha mais estrutura emocional para aguentar a pressão. Estava triste e sofrendo, porque era casada e tinha que dividir a responsabilidade das contas da casa com o marido. Mandou-me algumas mensagens contando da sua decisão e me pedia conselhos. A única coisa que fui capaz de dizer foi: - Siga o seu coração. Era uma decisão única e particular, mas que atingiria outras pessoas. Conclusão: voltou das férias direto para o setor de RH e pediu as contas.
A surpresa foi geral, ela nunca demonstrou insatisfação e sempre fez seu trabalho com sorriso no rosto e simpatia. Mesmo não sendo a profissão que batia o seu coração, ela resolveu fazer a faculdade porque já havia dois parentes no ramo e eles o abririam as portas, como aconteceu. Dali inscreveu-se na faculdade de Pedagogia e nas aulas de canto. Hoje em dia ela é coordenadora de uma escola e já lançou três álbuns-livros infantis de muito sucesso. Vira e mexe ela está dando entrevistas sobre o projeto e sempre está nas Feiras do Livro como palestrante e autora. E passou a cantar nas horas de folga.
Foi uma guinada de 360 graus, que a fez ver o mundo sob outra ótica. Será que não é a hora de você dar uma virada? Está feliz com o que faz? É o que faz o seu coração saltitar? São essas pessoas que você quer ao seu lado? Não precisa seguir a vida de uma única forma, você tem escolha, você pode mudar tudo a hora que desejar. Basta ter fé e consciência do que fará dali por diante. Uma coisa é certa: todos os caminhos o levarão ao lugar certo e essa caminhada é a construção da sua felicidade.

Por Danny Santos

Tempo, tempo, tempo...

Danny Santos 


Tempo, tempo, tempo...

É o que muita gente vive repetindo por ai, que o dia tinha que ter mais de 24 horas, que o tempo está voando. É fato que temos a impressão de que o tempo está correndo depressa demais, já estamos no meio do ano e ontem ainda era carnaval.
Nos tempos de hoje, quem tem saúde e tempo, tem tudo!
Vejo alguns artistas dizerem que alcançaram fama e dinheiro, mas que agora lhe faltam algo precioso: o tempo.
Isso faz sentido, a medida que corremos atrás de sonhos e desejos, vamos nos envolvendo em muitas coisas e quando nos damos conta, estamos sem tempo! A pior tristeza é quando chegamos ao lugar onde desejamos por anos estar e percebemos que não temos tempo para desfrutar dos benefícios que ele nos trouxe.
Para uns, a felicidade se resume em ter mais tempo para família, amigos, um hobby, até para uma simples leitura. Nesse mundão corrido e cheio de concorrência, muitas pessoas se vêem obrigadas a acumular trabalho, afazeres e esquece completamente de si. É aí que aparecem as doenças...
Como conciliar rotina, trabalho, envolvimento com amigos, eventos, família, filhos...são tantos compromissos que em alguns momentos temos que fazer escolhas difíceis, entre ir numa apresentação da escola do filho ou a uma reunião importante no trabalho,por exemplo. Algumas escolhas serão capazes de trazer mágoas e arrependimentos, mas são nossas escolhas e devem ser respeitadas.
Uma coisa eu aprendi, depois de tanto quebrar a cara: não há como se dividir em dois, três eventos no mesmo dia, ou se vai em um ou em outro. Por mais que você se dedique, fica impraticável estar presente de corpo e alma naquele lugar, sem estar pensando em ir para o outro, conclusão: você não aproveita nem um, nem outro. Para administrar tudo isso, deve aprender a dizer: Não! Infelizmente nos envolvemos em situações e nos comprometemos com algo que no fim, não daremos conta. Acho que aprendi a dizer Não, sem me sentir culpada.
Ter uma boa organização sobre a vida e rotina, é meio caminho andado para melhorar o aproveitamento do tão precioso tempo. Ao colocar no papel o dia-a-dia teremos condições de ver claramente o que é prioridade e o que deixou de ser. Nesse momento estou tentando encaixar na minha vida as aulas de violão e de inglês!
Que possamos aproveitar cada segundo, minuto e hora ao lado de quem nos faz bem, fazendo o que temos vontade e vivendo bem o meio, entre o início e o fim de nossas vidas. Como diz a letra da música Oração ao Tempo, de Caetano Veloso: " És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho.Tempo, tempo, tempo...vou fazer um pedido...tempo, tempo, tempo".

Por Danny Santos

Danny Santos

Jornalista, escritora, professora e Fotógrafa

Jornalista, escritora,professora, mãe, esposa e apaixonada pelas palavras. Carioca da gema, nascida no bairro de São Cristóvão, desde cedo sabia que iria trabalhar com a comunicação. Formada em Comunicação Social, Jornalismo, pela Gama Filho .A ideia do blog surgiu da necessidade em expor textos e observações do dia a dia. O blog tem a intensão de informar, divertir e fazer refletir sobre a vida.

Espero que gostem!

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